domingo, fevereiro 13, 2011

As civilizações mediterrâneas orientais

Os hebreus

O judaísmo é a origem de duas outras religiões que possuem milhões de adeptos em todo mundo: o cristianismo e o islamismo. Ele surgiu entre os hebreus na Antiguidade, primeiro povo efetivamente monoteísta da história.
Várias tribos semitas, originárias da Mesopotâmia, fixaram-se na região da Palestina a partir do século XX a. C., em caráter seminômade. Entre eles os hebreus. Com a posse da área, dedicaram-se principalmente ao pastoreio (bovinos, caprinos e ovinos). Para satisfazer as suas necessidades básicas dedicaram-se ao cultivo de trigo, cevada, oliva, figo, fava, etc. A produção de leite, lã e pele complementava a alimentação e fornecia matéria-prima para suas atividades artesanais. A localização geográfica da Palestina favorecia o comércio com outros povos. A sedentarização veio com o tempo.

A sociedade hebraica tinha como base a família patriarcal. O poder do patriarca era incontestável. A poligamia era institucionalizada e havia a prática da venda de filhos para estrangeiros, como forma de aliviar os problemas em épocas de penúria. A mais grave delas levou o povo hebreu a se deslocar para o Egito, no século XVII a. C., em busca de alimentos, aproveitando o domínio do Egito pelos hicsos.
Por volta de 1290 a. C., o líder Moisés chefiou  a saída do povo hebreu do Egito em busca da Palestina, a “Terra Prometida” por Iavé. Era o “Êxodo”. Os hebreus vagaram muitos anos pelos desertos, até adquirir uma forte solidariedade tribal. Boa parte das tradições e das crenças religiosas judaicas surgiu nessa época, como as Tábuas das Leis (Dez Mandamentos) e a Arca da Aliança. Tendo morrido Moisés, outro líder Josué, iniciou a conquista da Palestina, expulsando ou submetendo outros povos semitas que aí haviam se estabelecido.
Os hebreus desenvolveram um sistema tribal, baseado no sistema de propriedade familiar dos meios de produção. Os idosos eram respeitados por sua sabedoria e conhecimento das leis costumeiras, exercendo a função de “patriarcas”. O direito da primogenitura assegurava a transmissão do poder ao filho mais velho. Já os juízes eram os chefes das tribos, que se constituíram com a agregação das comunidades, e eram escolhidos pelos patriarcas. Sansão foi o mais famoso. Certamente as mulheres ocupavam uma posição inferior na sociedade.
Como os povos que viviam na região haviam oferecido grande resistência, sendo vencidos com dificuldades, especialmente os filisteus, o precário domínio dos hebreus revelava a sua fragilidade político-militar. Dividido em 12 tribos, chefiados pelos juízes, os hebreus compreenderam a importância da concretização da unidade político militar. Um chefe militar, Saul, foi aclamado rei dos Judeus, em 1010 a. C.
Assim, a consolidação da monarquia hebraica foi conseqüência das guerras na Palestina. Saul foi sucedido por Davi, outro comandante militar. Ao mesmo tempo em que completou a conquista da Palestina, iniciou a construção do templo de Jerusalém. Davi conseguiu unir todas as tribos e transformou Jerusalém na capital do reino. Líder carismático, legitimou seu poder através de alianças com os sacerdotes. Organizou um exército de mercenários e iniciou uma política expansionista para financiar os gastos do Estado.
Salomão foi o terceiro rei. Governou de 966 a 933 a. C., época em que o reino hebraico alcançou o seu maior desenvolvimento político e econômico. O templo teve a sua construção completada, abrigando a Arca da Aliança, símbolo do pacto entre o povo hebreu e Iavé (Deus). O templo de Jerusalém simbolizava referência nacional e a religião funcionava meio de união do povo e o elo de ligação com o poder político.
Porém, o individualismo dos chefes políticos provocou a separação das tribos. Após a morte de Salomão, ocorreu o cisma hebraico. Dez tribos ao norte constituíram o reino de Israel, cuja a capital era a cidade de Samaria. As duas tribos restantes formaram o reino de Judá, ao sul, com capital em Jerusalém. A divisão enfraqueceu o povo hebreu, estimulando a cobiça dos povos vizinhos. O Reino de Israel foi atacado e conquistado pelos Assírios em 720 a.C. Judá não resistiu ao ataque de Nabucodonosor, tendo sido sua população levada cativa para a Babilônia em 586 a. C. Episódio conhecido na Bíblia como o “Cativeiro da Babilônia”.
O drama judeu só terminou quando o rei persa Ciro conquistou a Babilônia, em 539 a. C., e permitiu que os judeus regressassem às suas terras. O templo de Jerusalém foi restaurado e a classe sacerdotal manteve uma política de aliança com o Estado persa.
Posteriormente, novas invasões e domínios se tornaram comuns. Ocorreu a conquista de Alexandre, em 333 a. C., depois a do grego-egípcio Ptolomeu. Seguiu-se a invasão romana, comandada por Pompeu. Em 63 d. C., os hebreus se revoltaram, mas, derrotados, foram dispersos pelo Império Romano, no episódio conhecido como diáspora. Seu fim ocorreu somente com a fundação do Estado de Israel, em 1948.
Os judeus, por ocasião da formação do seu Estado na antigüidade, já cultuavam apenas um deus, Iavé.

                    RELIGIOSIDADE
A crença em Iavé ou Jeová foi institucionalizada pelas leis de conduta e princípios espirituais e religiosos, escritos por Moisés, e que correspondem ao Pentateuco bíblico (Torá), destacando-se os Dez Mandamentos. Jeová é o elo de ligação, assegurando a existência da nação de Israel por toda a história. Entre as práticas religiosas destacam-se: guardar o shabath (sábado), celebrar a Páscoa (Psach), adorar Iavé na sinagoga, a circuncisão, o barmitzva, a dieta, o jejum no Yon Kippur etc.
A Bíblia (Antigo Testamento, para os cristãos) contém toda uma tradição oral milenar dos hebreus. Destacam-se a explicação da criação do mundo (Gênesis) até o Exôdo (Pentateuco); os livros históricos; os Salmos, de Davi; os Provérbios, de Salomão; e os livros proféticos, de Daniel, Ezequiel e Isaías.
O Talmud é formado pelos comentários dos rabis sobre as leis e as coleções de preceitos morais, espirituais, religiosos, higiênicos etc.

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